terça-feira, 15 de dezembro de 2015

terça-feira, 15 de dezembro de 2015
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Coloque o farol na popa e vá em frente!
http://www.ulige.com.br/2015/12/coloque-o-farol-na-popa-e-va-em-frente.html
"O barco já começou a navegar errado, com uma elite ociosa e corrupta e sem nenhum apreço pela educação." Leia o novo texto de Ulisses Tavares
Você é uma jangada. Frágil, qualquer onda mais forte balança e quase o afoga. Você é o condutor e o passageiro ao mesmo tempo, candidato ao naufrágio, lutando e rezando para voltar à praia.
Um país é um barco. Grande, mas nem sempre bem construído. E muito menos bem conduzido. O povo é apenas marinheiro cumprindo ordens.
A Terra é um navio. Imenso, farto, mas com os passageiros de primeira classe capazes de festejar e dançar enquanto ele afunda como um Titanic.
Jangada, barco e navio navegam pelas mesmas águas turbulentas da História, numa viagem que começou bem antes e não se sabe onde irá parar.
O futuro é uma incógnita, mas o passado é a bússola que pode nos indicar se estamos fora da melhor rota. Se pegamos o caminho errado.
E isso faz toda diferença.
Sua jangada, precária de corpo e alma, a qualquer momento será engolfada pela tormenta dos azares, do imprevisível. A felicidade é apenas um momento de calmaria entre horas de ventos cortantes.
As milhas já navegadas, porém, ensinam a prevenir desastres anunciados.
Olhe os que foram engolidos pelo Triângulo das Bermudas da existência humana: drogas, egoísmo, alienação.
Sem cuidar do corpo, você será uma casca de noz boiando no mar. Sendo egoísta, virará um homem solitário mesmo se rodeado de gente. Comprará tudo, menos o incomprável: amor, admiração, amizade. E, se alienando, será plateia perpétua, nunca ator no palco da vida. Vota, mas não apita nada.
Nosso barco País de vez em quando acerta o rumo do porto seguro. Mas, no mais das vezes, parece uma canoa furada onde impera o salve-se quem puder.
Novamente colocar o farol na popa, a parte de trás, em vez da popa, a parte da frente, nos ajuda a iluminar o hoje e clarear o possível amanhã.
O barco já começou a navegar errado, com uma elite ociosa e corrupta e sem nenhum apreço pela educação. São séculos de tirar riquezas e colocar pobrezas. Primeiro pelos portugueses, depois por nossa própria conta e escolha.
Nosso navio Terra, por sua vez, recebe insultos e devolve flores há milênios.
Mas está com seu casco avariado, sem combustível e superlotado. Sua única saída é sacudir-se e livrar-se da tripulação toda para continuar como no início dos tempos.
A esperança é que jangada, barco e navio encontrem uma corrente marítima segura para continuarem navegando.
Não temos como resolver com facilidade tão grave problema. Não dá para enfrentar a fúria de Netuno, o senhor dos mares, esquecendo de Juno, o deus do tempo. Juno, aquele de duas faces da mitologia, uma olhando para a frente, outra voltada para o que passou.
A História, portanto o passado, é nosso manual prático de cabotagem.
O ser humano tem sido guerreiro, escravagista, fanático religioso e prepotente em todos os quadrantes e latitudes.
E sempre afundou sua jangada nas procelas da ambição.
Os governantes têm sido ora populistas, ora mentirosos, ora oportunistas.
E sempre afundaram o barco do povo em nome de seus mesquinhos interesses pessoais.
A Terra foi loteada em fronteiras bem delimitadas e guardadas. E essas fronteiras têm sido a justificativa para extrair o máximo de cada metro quadrado sem pensar no vizinho.
E, como a Terra é redonda, o navio de todos nós é o mesmo e afunda por inteiro.
Portanto, o axioma está formado, a Esfinge pronta a nos devorar se não dermos a resposta correta.
Sem conhecer o que já passamos, como iremos decidir onde será melhor passar?
A História não é algo estático, parado no tempo. É um tsunami indo e vindo, se repetindo, como uma lição que ainda não aprendemos. Comecemos pela jangada, passemos para o barco e chegaremos ao navio.
Sem ler História, de nossa vida, de nosso País, de nosso Planeta, estaremos perdidos. E iremos ao fundo, sem a mínima ideia de por que fomos parar lá.


Ulisses Tavares é uma jangada com medo de ir à pique. Por isso se mira na História e tenta mudar o rumo do barco e do navio. Mas se sente um pouco sozinho nessa tarefa. Alguém aí disposto a ajudar?


https://www.blogger.com/profile/14657032355176316743
ulige
2015-12-15T13:30:00-02:00
Escritor Ulisses Tavares

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