quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
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Ulige Entrevista: Paula Yunes e Marcos Matsumoto, especialistas em cervejas artesanais
http://www.ulige.com.br/2016/02/ulige-entrevista-paula-yunes-e-marcos.html

Confira a entrevista que fizemos com dois especialistas em cervejas artesanais
No Ulige Entrevista de hoje convidamos a embaixadora da Way Beer em São Paulo, Paula Yunes, e o dono de um dos bares com mais variedades de cerveja em Guarulhos, a Weiss Bier Cervejaria, Marcos Matsumoto, para nos ajudar a entender um pouco mais de um assunto já falado aqui no Ulige: cervejas! Principalmente as artesanais, que estão com tudo. Confira!



Ulige: As mulheres têm conquistado cada vez mais seu espaço no meio cervejeiro. O que você tem a dizer sobre isso? Há muito preconceito?

Marcos: As mulheres são mais atenciosas e costumam se aprofundar e pesquisar mais sobre cervejas do que os homens. É essa dedicação que faz com que cada vez mais elas conquistem espaço no ramo cervejeiro.

Paula: Eu acho que não devíamos fazer tanto alarde quanto ao espaço da mulher no meio cervejeiro, uma vez que isso deveria ser padrão em todos os meios, inclusive neste. O motivo de isso não ser assim hoje em dia eu acredito que seja em grande parte pela comunicação pesada e machista com que o produto sempre foi abordado ao longo das últimas décadas. Acredito que esteja melhorando muito nos últimos anos e espero que esse equilíbrio seja alcançado logo. Mas infelizmente ainda tem preconceito, sim. Outro dia estava conversando com amigas que estão meio meio cervejeiro, é incrível como muitas vezes entramos em lojas com algum amigo (que não necessariamente manja muito) e os atendentes explicam tudo olhando só para eles, como se eles com certeza entendessem mais que a gente. É uma coisa comum na cabeça da maioria das pessoas e que é meio chato pra ala feminina... E é bobo, mas é chato, sabe... Por que partem do pressuposto que o homem entende mais? Isso não deixa de ser preconceito... Mas, enfim, eu procuro ter em mente que isso é ignorância da parte deles e que é algo que está mudando pra melhor com certeza!


Ulige: Você acredita que as cervejas artesanais estão conseguindo ser aceitas pelo público brasileiro? Tendo em vista que as cervejas mais vendidas são as tradicionais de marcas famosas.

Marcos: Com certeza as cervejas artesanais estão caindo no gosto do brasileiros cada dia mais; as cervejas artesanais têm o seu espaço e conquistam pessoas que desafiam o seu paladar a cada cerveja degustada sem se preocupar com as mainstreams, que são cervejas de baixa complexidade de sabor e aroma

Paula: Acredito totalmente que estão sendo muito bem aceitas. Tenho exemplos aqui em casa de várias pessoas convertidas! ~risos~ Acho que quando você descobre os novos sabores, intensidades, diversidade... é impossível não se apaixonar! :)



Ulige: Qual o estilo de cerveja que você acha que tem tudo para cair no gosto das pessoas mas que ainda não é bem conhecido? E qual ainda falta ser fabricado por aqui?

Marcos: Acredito que as Italian Grape Ale, cervejas diferenciadas que têm sabores e aromas fantásticos e cativantes. E claro as cervejas brasileiras que são envelhecidas em barris de cachaça.

Paula: Ainda não temos muitas Gose, mas está tendo alguns lançamentos, tem algumas muito boas, e acho que vai aumentar bem o número de rótulos nesse estilo. Acho que a maioria das pessoas tem tudo pra gostar!

Ulige: O que você acha das microcervejarias nacionais? 

Marcos: As microcervejarias nacionais estão melhorando cada vez mais e conquistando seu espaço.

Paula: Acho que tem de tudo! Muitas muito boas, que já estão fazendo muitas coisas boas há anos e de forma bem consistente, e algumas novas começando.


Ulige: Você sabe o motivo do alto custo das cervejas artesanais no Brasil?

Marcos: O preço ainda não é competitivo devido aos impostos e insumos importados que têm seu valor cotado em dólar.

Paula: Bom, as importadas sofrem taxas de todos os lados, fora a desvalorização do real diante das outras moedas... Acaba ficando caro, infelizmente!

Paula Yunes

Ulige: Qual sua dica para quem quer experimentar novas cervejas?

Marcos: As cervejas de trigo são porta de entrada para vários degustadores e têm um nível de amargor de fácil aceitação; em seguida vêm as cervejas inglesas e belgas. Já as americanas ficam por conta dos aventureiros e viciados em amargos.

Paula: Sem dúvida vai do gosto de cada um, mas, geralmente, pra quem ainda não tá muito acostumado com cerveja artesanal e estilos diferentes, quando tomam alguma de trigo, seja Wit, seja Weiss, é tiro certo! Outro estilos que vejo que funcionaram com minha família e amigos nessa conquista ~risos~ são Saison, Blond Ale... Depois aos poucos o gosto vai mudando, e vamos mudando de fase! :)

Marcos Matsumoto

Ulige: Qual estado tem a maior concentração de fábricas/cervejarias de cervejas artesanais no Brasil? E qual estado está evoluindo para entrar nessa lista?

Marcos: O sul do país domina esse número, lá existe a maior concentração de cervejarias artesanais. São Paulo deve ser o próximo polo cervejeiro do Brasil, mas isso deve levar alguns anos.

Paula: RS, RJ, SP e PR são os mais fortes eu acho! MG também.


Ulige: E no mundo? Qual é o maior polo?

Marcos: O maior polo cervejeiro é e sempre será o velho mundo, a Europa é pura tradição!

Paula: Ah, eu acredito que tá crescendo de forma geral... Mas acredito que o maior volume dever ser nos EUA.


Ulige: Marcos, por qual motivo você decidiu abrir algo com uma proposta bem diferente, que além de vender bebidas traz palestrantes e degustação de novos produtos? 

Marcos: A proposta diferente vem da ideia de encontrar pessoas com paladares diferenciados e de bom gosto. Isso ajuda no nível de atendimento ao cliente e cativa pessoas, degustadores e palestrantes de alto nível de conhecimento cultural etc.



Ulige: E você acredita que a procura por locais que sirvam cervejas artesanais está aumentando ou ainda é fraco em Guarulhos?

Marcos: Está aumentando e deve seguir crescendo durante muitos anos. Talvez com uma velocidade menor e menos intensa do que na cidade de São Paulo.


Ulige: Paula, explique para nossos leitores o que faz exatamente uma embaixadora de microcervejaria.

Paula: A embaixadora (ou embaixador, por que não? ~risos~) ajuda a divulgar a marca trabalhando com seu produtos diretamente nos pontos de venda. Fazemos treinamentos com os garçons sobre as nossas cervejas para eles ficarem bem afiados e saberem explicar aos consumidores, o que eu acho que é um dos pontos principais do trabalho. Visitamos diversos pontos pra entender como a marca está sendo trabalhada lá, o que os consumidores estão achando, como está saindo e se podemos melhoras o trabalho de alguma forma. Muitas vezes fazemos degustações com os próprios clientes do bar ou restaurante, e é muito interessante conduzir pessoas numa degustação. Às vezes acontece o que falei ali em cima, de você ver na cara das pessoas que elas estão sendo conquistadas por aquela cerveja, que, muitas vezes, é bem diferente daquela que elas estão acostumadas no dia a dia. O meu trabalho também inclui acompanhar a equipe de vendas, colocar o produto em novos clientes, fazer o meio de campo entre cervejaria, distribuidor e clientes. Muito disso tem a ver com trade marketing. É um trabalho que não termina nunca, tem muito pra ser feito e é muito interessante.


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ulige
2016-02-18T13:30:00-02:00
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