quarta-feira, 15 de junho de 2016

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Palavras que contam histórias
http://www.ulige.com.br/2016/06/palavras-que-contam-historias.html

Crasso, gongórico, draconiano...
As palavras surgem da necessidade diária de explicar algo ainda indeterminado. Muitas palavras que usamos atualmente passaram por esse processo e, por trás de seu significado dicionarizado, contam histórias bem mais significativas.

Dicionário: adjetivo.
1. que representa densa espessura; grosso, espesso.
2. que se apresenta de forma cerrada; denso, fechado.
3. sentido figurado: tosco, grosseiro, rudimentar

História: Marcos Lícino Crasso era um político e general romano que viveu entre 115 e 53 a.C. Era um aristocrata que fez fortuna graças ao seu tino para negócios e à instabilidade política da Roma do século 1 a.C. Crasso era gentil, bom orador e emprestava dinheiro sem cobrar juros. Seu amigo Júlio César foi um dos que se valeram disso quando, certa vez, foi retido por credores, pouco antes de embarcar para uma viagem à Espanha. Crasso pagou 830 talentos para que a bagagem de César fosse liberada. Tornou-se líder militar e governador da Síria, uma região de fronteira entre o império romano e o dos partos. Invejoso da glória militar que César havia adquirido, Crasso decidiu subjugar os Partos, antigos inimigos dos romanos. Comandando duas legiões, foi ao encontro deles, que destruíram as unidades romanas e fizeram Crasso prisioneiro antes de matá-lo. O episódio é considerado a pior derrota em toda a história militar romana, razão pela qual a reputação do banqueiro ficou para sempre associada a decisões equivocadas, erro crasso.


Dicionário: adjetivo.
1. relativo ou pertencente a Luis de Góngora y Argote (1561-1627, poeta espanhol)
2. relativo ao gongorismo
3. em que há gongorismo
4. por extensão de sentido, uso pejorativo: rebuscado, precioso, afetado.

História: Expoente do chamado “século de ouro” da cultura espanhola, o padre e escritor Luis de Góngora y Argote teve contemporâneos do porte de Miguel de Cervantes. Mesmo assim, seu talento literário chamou a atenção. Alguns artistas se mostraram tão influenciados pelo estilo do religioso que chegaram a formar uma escola à parte chamada de culteranismo ou gongorismo. Outros, porém, se declararam inimigos, afirmando que o uso excessivo de paráfrases, perífrases e citações de autores gregos e latinos resultava num texto por demais erudito, empolado e obscuro. Daí resultou o adjetivo gongórico. Entre os admiradores, porém, estava o rei Felipe III, que o nomeou capelão real. No final da vida, Góngora perdeu a memória e morreu na pobreza em 1627.


Dicionário: adjetivo e substantivo masculino.
1. que ou o que se refere a Drácon, legislador ateniense do século VII a.C.
                1.1 referente a ou o severo e duro código de leis a ele atribuído.
2. por extensão de sentido: que ou o que é excessivamente rigoroso ou drástico.

História: Drácon era um legislador que viveu na Grécia Antiga no século 7 a.C. Morava em Atenas e fez a primeira constituição escrita para a cidade. O código ficava esculpido numa pirâmide triangular, de forma que pudesse ser visto por todos os moradores. Essa era uma inovação importante, pois até então as leis eram orais, e seu conhecimento, restrito à elite. Com a introdução da escrita, todos os cidadãos obtinham a possibilidade de se queixar quando tivessem seus direitos violados. Outra inovação estava na diferenciação entre morte acidental e homicídio intencional. As leis criadas por Drácon outorgavam punições severas. A dívida poderia levar alguém a tornar-se escravo, por exemplo, e muitas infrações eram punidas com a morte.



Dicionário: adjetivo.
1. relativo a Homero, poeta épico que teria vivido na Grécia no século VI a.C., presumível autor da Ilíada e da Odisseia, ou a seu estilo.
2. por extensão de sentido, sentido figurado: que tem o caráter extraordinário, fantástico, desmedido das cenas épicas presumivelmente descritas por Homero.
3. por extensão de sentido, sentido figurado: grandioso, enorme, extraordinário.

História: Homero, o legendário poeta grego, é o criador do gênero épico. Sua descrição da Guerra de Troia e das viagens de Ulisses compreendia uma série de aventuras e dramas envolvendo deuses, monstros, heróis, destruição, ódio e amor, combinação de ingredientes que gerava, em quem o ouvia, um sentimento de assombro e admiração.


Dicionário: substantivo feminino.
Mulher que tem preferência sexual por ou mantém relação afetiva e/ou sexual com outra mulher.

História: Safo era uma poetiza grega que viveu no século 7 a.C. Considerada uma poetiza altamente inspirada e talentosa, escreveu versos eróticos. Ela viveu em Lesbos, uma ilha no mar Egeu que é a sétima maior do Mediterrâneo. Safo envolveu-se com política e por isso foi expulsa da ilha. Casou-se, teve uma filha, ficou viúva e retornou para Lesbos. Lá começou a escrever poemas amorosos falando de mulheres. Na Idade Média, a Igreja censurou o caráter erótico de sua poesia, e poucos fragmentos de seus textos chegaram até nós.


Dicionário: substantivo feminino
1. mulher de costumes dissolutos; libertina
2. por extensão de sentido: meretriz.

História: Valéria Messalina foi uma aristocrata romana que viveu entre 17 e 41 a.C. Era prima do imperador romano Calígula. Em 38, casou-se com outro primo, Cláudio, 48 anos mais velho. Três anos após o casamento, Calígula e toda sua família foram assassinados. Cláudio foi proclamado imperador e Messalina tornou-se imperatriz. Perseguiu e mandou matar políticos que julgava ameaças a seus filhos, herdeiros da coroa. Ao mesmo tempo, levava uma vida sexual intensa. Há relatos de historiadores romanos de que ela organizava orgias e que usava o sexo como uma forma de aumentar sua influência política.


Dicionário: substantivo masculino
Monumento funerário, geralmente imponente ou de dimensões avantajadas, que abriga os despojos de um ou vários membros de uma mesma família.

História: Mausolo era um rei que viveu onde hoje é a cidade de Bodrum, na Turquia, no século 4 a.C. A região era parte do Império Persa, e Mausolo era o administrador imperial da região. Em 353, o rei morreu, deixando sua espora (que, aliás, também era sua irmã) inconsolável. Ela decidiu construir uma tumba grandiosa para homenageá-lo. A tumba tinha 45 metros de altura, e cada uma de suas faces era adornada por baixos-relevos feitos por grandes escultores gregos, mostrando cenas mitológicas como lutas contra amazonas e a batalha entre centauros e lápitas. Acima dos baixos-relevos estavam 36 colunas, que sustentavam um teto em forma de pirâmide. O conjunto era tão impressionante que foi considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo.


Dicionário: adjetivo de dois gêneros
1. que é do conhecimento de todos; corriqueiro, vulgar
                1.1 que é muito usado, repetido, batido
2. que não revela maiores qualidades; ordinário

substantivo masculino
3. qualquer prato simples do dia a dia, especialmente os que compõem o cardápio das refeições caseiras.

História: na Idade Média, a educação superior compreendia sete disciplinas: gramática, lógica, retórica, aritmética, geometria, música e astrologia. Elas eram reunidas em dois grupos. O primeiro era chamado de trivium, o segundo, de quadrivium. O quadrivium era considerado o estudo dos números, tanto em sua forma pura (aritmética) quanto aplicados ao espaço (geometria), tempo (música) e espaço (astronomia). O quadrivium era considerado o grande “bicho-papão”. Antes de chegar a ele, os estudantes tinham de passar pelo trivium, que era uma espécie de “ciclo básico”, ensinado nos primeiros anos da universidade.


Dicionário: substantivo masculino de dois números
Indivíduo rico que protege artistas, homens de letras ou de ciências, proporcionando recursos financeiros, ou que patrocina, de modo geral, um campo do saber ou das artes.

História: Caio Clinius Mecenas foi um aristocrata romano que viveu no século 1 a.C. Vinha de família nobre e dizia-se descendente de reis etruscos. Era conselheiro de Augusto, o primeiro dos imperadores romanos (ainda que não usasse esse título formalmente). Apoiava poetas jovens, fornecendo-lhes recursos para que pudessem se dedicar apenas à arte. Foi patrono de alguns dos maiores nomes da poesia latina, como Virgílio e Horácio. Mecenas considerava as artes uma questão de estado, que ajudaria o povo a se adaptar aos ideais que estavam surgindo com a conversão de Roma de república em império.


Dicionário: substantivo masculino
1. indivíduo dos vândalos, povo germânico que, por volta do século V, invadiu, promovendo devastação, a Hispânia e o Norte da África, onde fundou um reino

adjetivo e substantivo masculino
2. que ou aquele que estraga ou destrói bens públicos, coisas belas, valiosas, históricas etc.
3. que ou aquele que não tem cuidado, esmero, tudo estraga
4. que ou aquele cuja ação ou omissão traz prejuízo à civilização, à arte, à cultura

História: os vândalos eram uma tribo germânica que vivia na Noruega. Por volta de 330, o imperador Constantino lhes ofereceu terras nas fronteiras do império romano. Ficaram lá por seis décadas. Em 400, seu território foi invadido pelo hunos, e os vândalos foram para o oeste. Tomaram a Gália (atual França) e, embora perdessem 20 mil homens, conseguiram derrotar os bárbaros francos, os senhores da região. A partir daí guinaram para o sul, ocupando a Espanha e Portugal, onde criaram reinos germânicos. Após saquearem e destruírem várias cidades, construíram um reino germânico no norte da África. Em 455, cruzaram o Mediterrâneo e atacaram Roma. A pedido do papa, não incendiaram a cidade, limitando-se a saqueá-la.


Fontes: Dicionário Houaiss e Revista Galileu.

 
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ulige
2016-06-15T13:30:00-03:00
Discursiva História Nathália Lippi

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